Raízes.

As meninas do meu jardim falam-me de coisas tão banais.
Tudo o que me floresce não são só rosas, são mentiras, são sinais.
E as palavras que eu digo são abafadas pelo medo
Por isso vou contando histórias e morrendo em segredo.

As memórias que me deixas são como pedras de marfim,
Tão pesadas, tão amargas que quase que fogem de mim.
E o silêncio desprevenido faz de conta que não me viu,
Aparece na solidão e cala tudo o que partiu.

Vieram-me falar da morte e da paz que ela nos traz.
(Mandar embora quem me dói por me sentir tão incapaz.)
E vou-me escondendo nas minhas drogas que tão bem me sabem ouvir.
Ninguém sabe onde estou, por onde vou, que vou partir.
E é a terra pouco semeada que mal me está a deixar crescer.
Não são só metáforas, algo físico. Insaciável vontade de ser.

E quantas quedas nós já demos, quantos conselhos fundamentais?
E eu só morro nos teus braços, porque além de ti nada mais.
Eram as minhas firmes palavras que tanto insistias em ouvir
Mas era outro o teu desejo, aquele corpo. Quero fugir.

E tanto lutei, tanto gostei que hoje vivo numa camuflagem
E vou ficando nesta casa, mas hei de ir: estou de passagem.

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