Adeus
Espero que saibas que me vou embora. Não só porque quero, mas porque preciso: preciso de me ir embora de ti. Tudo o que me dizes dói, tudo o que fazes, toda essa estúpida insignificância para comigo dói. Sabes o peso das palavras? Não? Então vou-te ensinar uma coisa: até aprenderes, está calado.
Antes ter o peso da vida incerta às minhas costas do que ter o peso de uma vida a teu lado. Preciso de me deixar de sentimentalismos e tirar-te de cima de mim. E sim, de cima. Houve alturas em que quis acreditar que estavas a meu lado, demasiadas até (culpo a minha esperança no ser humano por isto), mas na verdade estavas só em cima de mim a pesar, a sufocar, a fazer tentar parecer que a minha vida era bela por te ter quando na verdade seria mesmo o oposto.
Não quero acreditar que te odeio, sei que tenho a capacidade para o sentir mas, ao contrário do amor, o ódio é algo que só me vem por escolha própria. Tenho nojo de te ter por perto, raiva de me ter deixado ficar tanto tempo, ansiedade por não conhecer outra vida para além de ti e mesmo assim querer deixar-te em busca de qualquer outra coisa minimamente melhor, mas ódio? Não, não te odeio, simplesmente já não gosto de ti.
(Esta é a carta que nunca te escrevi, espero que um dia a leias e saibas que é para ti.
Até lá, adeus.)

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