₪ Sentidos ₪

Tinha a mania de responder torto a todo o mundo, de viver zangada com a vida que tinha proporcionado a mim mesma e sentia-me mais miserável a cada hora que passava.
Vivia um romance inseguro que só não largava por ter medo que o outro morresse de solidão, como outrora já me teria acontecido.
Tinha amizades que, apesar de seguras, eram distantes pela falta de disponibilidade que tinha ou, muitas vezes, pela falta de vontade.
Fazia parte de uma das famílias mais desproporcionais que conhecia e que, contra a minha vontade, amava extremamente apesar de todo o sofrimento que me traziam com todas as discussões desnecessárias e a falta de todo o tipo de sentimentos que uma verdadeira família deveria transmitir.
Já tinha perdido o rumo dos meus interesses, num dia gostava de línguas e de filosofia, noutro já achava que a ciência e a medicina é que seriam importantes para a minha vida, tudo porque via filmes e séries de coisas tão diferentes que me levavam a mudar de ideias regularmente, mas de uma coisa eu tinha a certeza, aquilo que eu mais queria fazer na minha vida era ajudar os outros, fossem eles deficientes, sem-abrigo ou simplesmente pessoas que têm tudo para ser felizes mas que não sabem como o fazer.
E por falar em séries, era completamente louca por elas. Sempre que chegava a casa vestia o pijama, ia preparar uma bela taça de noodles e via séries como Friends ou How I Met Your Mother para me animar e rir à toa, e ainda outras como Supernatural e House para me levarem ao lado mais sério e pensativo que tinha guardado em mim.
Basicamente vivia fechada no meu mundo, na minha rotina insuportável, na minha relaxante vida anti-social, na minha casa aos berros e no canto dos meus sonhos, e se dependesse de mim ficaria assim para o resto da vida, pois sei que se alguma coisa mudar nunca será para melhor, nunca foi.

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