●• À Solta •●
É da pobreza
que vem a revolta,
que vem a tristeza.
Vozes protestantes
perante o que vêm
que já não é como dantes.
Ares medonhos
roedores de sonhos.
Frias noites
que aquecem a alma
dos apaixonados,
que todos estes anos
viveram enganados.
Vá-se lá saber o que seremos
nós, um dia.
Por magia nasceu
aquele que mudou
este mundo e o outro,
excepto o resto que ficou.
Ficaram as amarguras dos maus dias,
voaram quaisquer alegrias
sem função alguma.
Criou-se ganância e falsa escolha
entre todo o bem e o mal.
E as notícias que saiam no jornal
que escondiam toda a verdade.
Por fim tudo obra do nada,
mentalidades desperdiçadas,
vidas enforcadas,
com destino a nós.
Nós que criamos a mudança,
que vivemos na esperança
de mais viver.
E que fazemos mil e um gestos de amor
mesmo que isso implique dor
ao próprio ser.
Nós que falamos ocasionalmente,
quando se solta a alma,
de repente.
E prometemos um mundo melhor,
para nós e para os nossos,
em nome do Senhor.
Verdade oculta ou mentira descoberta,
só sabe quem lhe acerta.
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